pulso

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vídeo

PULSO from vapor324 on Vimeo.

ficha
técnica

instalação audiovisual produzida para evento "rua3" da associação "bela rua".


são paulo / agosto 2014

texto

Todas as faces do cubo foram iluminadas por 4 projetores. A instalação foi construída a partir de uma estrutura cíclica, repetitiva e infinita. O som e as imagens seguem um pulso e são transmitidas ao vivo.

A relação entre objeto [cubo], som e imagem apresenta um elo entre o mundo espiritual e material. Todos os elementos constroem um novo cubo, desta vez feito de luz e movimento. Um objeto único que se configura a partir do tempo e do espaço.

Tudo se organiza de forma periódica, uma pulsação rítmica de ruídos e imagens. O cubo luminoso apresenta uma nova organização do espaço ao seu redor, em que a experiência do tempo vivido sobrepõe-se as estruturas urbanas tradicionais para dar lugar a uma infinita repetição.

As imagens, homens e animais em movimentos repetitivos, circulam o cubo. Cada uma delas representa um som e seu intervalo rítmico. A movimentação de cada personagem nas 4 faces do cubo se da proporcionalmente ao seu rítimo correspondente.

A oscilação de diferentes valores de tempo em torno de um centro que se afirma pela repetição regular e que se desloca pela sobreposição assimétrica dos pulso, é representada didaticamente pelas imagens.

O movimento dos corpos são imagens feitas por Muybridge(1830 - 1904). Todas as animações são feitas a partir de uma sequência de fotos que repetidamente formam um movimento continuo. Criador do zoopraxiscópio, maquina precursora do desenvolvimento da película de filme, estas imagens possibilitam uma organização rítmica, e trabalham de forma visual e metafórica na instalação ao relacionar som, tempo, espaço e significado.

Paralelamente, a visita do espectador é também obrigatoriamente circular e acaba por se misturar aos personagens de Muybridge. É preciso movimentar-se em volta do “objeto iluminado” para ver todas a faces. Nesse sentido, o próprio espectador é introduzido á esta estrutura espacial.

Envolto pelo som de batucadas e samplers, ás margens de um rio morto, em baixo do viaduto Bernardo Goldfarb, entre a Marginal Pinheiros e a saída da Ponte Eusébio Matoso, em frente a um empreendimento de 58 mil metros quadrados e centro de um dos principais grupos de engenharia e construção da cidade, o espectador movimenta-se ao redor do cubo luminoso como uma espécie de re-ocupação de um território desconhecido porém familiar.

De certo modo, pode-se relacionar esta estrutura de construção espacial à uma estrutura de formação da identidade e do pertencimento do território urbano atual. As demolições e os novos edifícios parecem refletir este ciclo infinito repetitivo, livre de uma ordem temporal linear ou histórica. Um território sem passado nem futuro, sujeito a eterna transformação. A ordem se constitui a partir da repetição infinita e o significado a partir da memória.

Diante de uma especulação territorial rápida e brutal a instalação PULSO, localizada em um cenário típico e característicos de nossa cidade, busca apresentar uma outra experiência e interpretação do território.